quarta-feira, 25 de março de 2015

Novo sistema de contratação amplia atraso na obra do BRT de São José dos Campos

25/03/2015 - O Vale - S.J.dos Campos

Leia: Após 5 meses, Carlinhos anula a licitação do BRT de São José dos Campos - O Vale - S. J. dos Campos

Mudança no modelo de contratação para as obras do BRT em São José vai atrasar ainda mais o empreendimento, já afetado por sucessivas revisões de cronograma.

A concorrência foi lançada em 13 de outubro de 2014, pela prefeitura, para contratar de uma só vez o projeto executivo e a empresa que construiria o sistema, que terá 51,14 quilômetros de extensão.

A previsão era de entrada em operação do primeiro trecho ainda em 2016.

Para tanto, a concorrência seria acelerada com o modelo de RDC (Regime Diferenciado de Contratação), que tem regras próprias e foi criado pelo governo federal para acelerar as obra da Copa do Mundo.

Mas a própria prefeitura desistiu desse modelo e suspendeu a licitação por tempo indeterminado em novembro do ano passado. Ainda não há prazo para que a concorrência seja relançada.

Mudança. O governo decidiu optar pela modelagem da Lei das Licitações (8.666), que exige certames separados para a contratação do projeto executivo e da construtora que fará a obra, que está avaliada em R$ 830 milhões, sendo R$ 800 milhões do governo federal e R$ 30 milhões da prefeitura.

Explicação. Até agora, contudo, o governo não informou claramente as razões de desistir do RDC. Informou apenas que o modelo gerou questionamentos das empresas participantes da concorrência.

O sistema de contratação por RDC é recente na administração pública e ainda gera questionamentos entre as próprias empresas concorrentes, disse a prefeitura, em nota.

Isso ficou demonstrado a partir do momento em que o edital para o Mobi [nome dado ao BRT em São José] foi lançado. Diante disso, a avaliação é de a licitação pela lei 8.666 será mais adequada para execução do projeto.

O que também vai atrasar a construção do BRT (Bus Rapid Transit, em português transporte rápido por ônibus) em São José é a exigência do projeto executivo da obra, que terá que ser contratado por licitação e precedido de um projeto básico, sob a responsabilidade da prefeitura.

Projeto. Em nota, o governo do PT confirmou que nem o projeto básico está pronto. O modelo de elaboração do projeto básico está sendo definido pela Secretaria de Obras.

Para o consultor Rogério Cavalcante, especialista em licitações públicas, a troca do regime diferenciado pela licitação tradicional irá dilatar o cronograma da obra em muitos meses, dependendo do processo de concorrência.

Ao abrir mão do RDC, a prefeitura sabe que terá que demandar um tempo bem maior para contratar o projeto pela Lei das Licitações, que exigirá dois certames, para o projeto e a obra em si, disse.

Entenda o caso

O projeto

O projeto do BRT foi anunciado pelo prefeito Carlinhos Almeida em novembro de 2013 em substituição ao VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), proposta inicial do governo para a área de mobilidade urbana. A ideia era aproveitar o financiamento de R$ 800 milhões liberado pelo governo federal para o projeto original

Contrato

Em julho do ano passado, a prefeitura assinou o contrato do empréstimo, a ser pago em 30 anos. O município deverá entrar com uma contrapartida de R$ 42 milhões

Concorrência

A concorrência para a construção do sistema foi lançada em outubro, mas acabou suspensa cinco dias antes da data de entrega das propostas

Prazos

A meta inicial da prefeitura era relançar a licitação ainda em 2014. Depois, janeiro de 2015. Hoje, ninguém se arrisca a estabelecer uma data. A prefeitura já admitiu, porém, que a obra não ficará pronta no atual governo

Para vereador, caso expõe falhas

A oposição aponta erros de gestão da Prefeitura de São José na condução do projeto do BRT, considerado pelo governo como o mais importante para a mobilidade na cidade.

Para o vereador Juvenil Silvério (PSDB), a demora em definir a contratação do projeto será prejudicial à cidade.

Ele disse que a prefeitura deveria ter tido um maior cuidado com o projeto antes de abrir a licitação, para depois suspendê-la sem nenhum prazo de reabertura.

Trata-se de uma obra complexa que exige todo um cuidado das equipes técnicas da prefeitura, afirmou.

Lançar a licitação e depois suspender o pleito causa uma má impressão no mercado. É medida de prefeitura com problemas de gestão, completou.

Na Câmara, Juvenil prometeu mobilizar a oposição para acompanhar a evolução do projeto em São José, especialmente a nova licitação.

Temos que acompanhar daqui da Câmara para ver como esse empreendimento será tratado na cidade, disse.


terça-feira, 24 de março de 2015

Nova licitação, de R$ 100 bi por 20 anos, divide linhas de ônibus de SP em 4 redes

24/03/2015 - O Estado de SP

Com custo superior a R$ 100 bilhões, a licitação dos ônibus de São Paulo poderá ter contratos com vigência de até 20 anos, cinco a mais do que o definido atualmente, segundo o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto. O futuro sistema de coletivos da capital também será redesenhado e terá sub-redes de deslocamento - radiais, perimetrais, de articulação e de distribuição.

As propostas foram apresentadas nesta segunda-feira, 23, durante uma conturbada audiência pública no Instituto de Previdência Municipal (Iprem), em Santana, zona norte, presidida por Tatto. O encontro tratou da concessão, prevista para ser viabilizada pela gestão Fernando Haddad (PT) até julho.

De acordo com Tatto, a divisão do sistema em duas redes - estrutural e local - será mantida, mas serão quatro variações.

A Prefeitura criará duas sub-redes estruturais. Uma será com linhas radiais - dos terminais de ônibus até o centro, com trajetos mais simples e carregamento maior - e outra terá linhas perimetrais, conectando vários corredores, sem chegar ao centro.

Também haverá duas sub-redes locais. Uma delas será a de articulação, com ônibus atravessando corredores e atendendo a um ou a mais bairros, com uma capilaridade maior. A segunda é uma sub-rede de distribuição, com veículos circulando por ruas de difícil acesso, geralmente pequenas, no meio dos bairros.

Além disso, Tatto afirmou que a gestão Haddad quer criar operações diferenciadas para cada período do dia e da semana. A intenção é criar uma rede de linha para os dois horários de pico do dia, uma rede para os demais períodos dos dias úteis, outra para os domingos, aumentando a frequência em relação ao que já existe, e outra da madrugada - que já está em funcionamento desde fevereiro. A próxima rede a ser lançada será a de domingo, que deve passar a operar em julho, segundo o secretário.

Prazo. Com a extensão do prazo da concessão, além dos ajustes nas linhas de ônibus, com o redesenho, os vencedores da licitação poderão ser obrigados a investir em infraestrutura, que, ao término dos contratos, passaria para o poder público. São os "bens reversíveis", um mecanismo já adotado em concessões de rodovias, por exemplo.

"A lei existente de 2001 fala que a concessão pode ter um prazo máximo de 20 anos, dependendo dos investimentos. Isso é um debate que está em aberto. Como nós optamos por não ter mais a permissão e ser tudo por meio de concessão, de SPEs (sociedades de propósito específico), então, achei prudente colocar até 20 anos (de concessão)", explicou Tatto.

Segundo ele, o edital pode estabelecer 15 anos de vigência para os contratos da concessão, caso os investimentos em bens reversíveis não estejam previstos.

Tatto disse que o Centro de Controle Operacional (CCO) da São Paulo Transporte (SPTrans) poderá ser um dos bens reversíveis.

Terminais. O secretário estuda também a proposta de os concessionários construírem corredores, em razão da ampliação do período do contrato. "Eu tomei o cuidado de aqui não detalhar tanto, porque estou esperando terminar o projeto básico." Na concessão de 2003, válida por dez anos e renovada desde as manifestações de junho de 2013, foi cogitada a possibilidade de as empresas construírem terminais, mas o processo não foi levado adiante.

Para Francisco Christovam, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros de São Paulo (SP Urbanuss), que representa as viações, a lei prevê esse tipo de ação. "Se você fizer investimentos em bens reversíveis, que ao final do contrato se reverta para a Prefeitura, você pode estender o prazo até 20 anos. O objeto (do contrato) vai ser a frota operacional, o CCO e a administração dos terminais. Mas não sei se só nos terminais que estão sendo construídos ou se eles (a Prefeitura) vão passar todos os terminais para as empresas operarem", disse.

A expectativa da Prefeitura é de que o edital da licitação seja publicado entre abril e maio e de que o processo licitatório seja concluído até o meio do ano.

Grupo protesta durante audiência sobre novo sistema de ônibus

Ato foi organizado por cerca de 80 motoristas e cobradores; bombas foram lançadas próximo a auditório, na zona norte

SÃO PAULO - Um grupo de cerca de 80 motoristas e cobradores protestou na porta do Instituto de Previdência Municipal (Iprem) na Avenida Zaki Narchi, em Santana, onde se realizava a audiência pública. Eles afirmam que a nova licitação abre espaço para o fim da carreira de cobrador.

Minutos antes do início da audiência, uma bomba caseira foi estourada na rua, aparentemente pelo grupo de motoristas e cobradores, que chegou ao local entoando gritos como "Ô, Ô, o trabalhador chegou!". Um policial civil desceu de uma viatura próxima com a arma na mão para abordá-los, mas ninguém chegou a ser detido. Outra bomba estourou minutos depois, na porta do auditório.

O secretário Jilmar Tatto teve de vir ao microfone para dizer que a figura do cobrador "não vai acabar". Foi ovacionado. Depois, disse à imprensa que o cobrador, "no mundo todo, é profissão em extinção" e os profissionais nesses cargos poderiam ser remanejados. "Então, tem de ver caso a caso. Pode virar assistente do motorista ou atender no pré-embarque."

Segundo o diretor do sindicato da categoria, Pedro Moreira de Alcântara Júnior, existem 15 mil cobradores em São Paulo. "Tem empresários que querem acabar com o nosso emprego."

Ao longo da sessão, várias pessoas ainda ergueram a voz, no auditório lotado, e criticaram a Prefeitura por optar por uma licitação internacional. "Vamos ter de aprender inglês?", indagavam. Também houve antigos perueiros que reclamaram da remuneração que vêm recebendo após terem se transformado em empresas. A mudança é para atender ao próximo edital, mas resulta em mais custos e impostos.

sexta-feira, 20 de março de 2015

Edital do BRT é questionado por tribunal e corre risco

20/03/2015 - Jornal Cruzeiro do Sul - Sorocaba

Leia: Lançada concorrência bilionária para o BRT de Sorocaba - Cruzeiro do Sul/Sorocaba

A Prefeitura de Sorocaba tem até hoje para dar explicações ao Tribunal de Contas do Estado (TCE) sobre supostas irregularidades que tornariam o edital do sistema Bus Rapid Transit (BRT), orçado em R$ 2,4 bilhões, restritivo à participação de um número maior de interessadas, além de falhas tidas como técnicas, sob o risco de suspensão do processo, marcado para a próxima terça-feira. O órgão fiscalizador, que deu prazo de 24h para resposta do Executivo, fez ainda alerta ao prefeito Antonio Carlos Pannunzio (PSDB) de que, caso não sejam apresentados os esclarecimentos, poderá receber multa de 2.000 Ufesps, o equivalente a R$ 42,5 mil.

A determinação do TCE partiu de representação feita pelo vereador Marinho Marte (PPS) na última quarta-feira, conforme antecipou a coluna Informação Livre. No documento, de 16 páginas, o parlamentar apresenta quatro pontos no edital que supostamente estariam irregulares, ferindo a lei 8.666/93, conhecida como a lei de licitações, e também a Constituição do Estado de São Paulo. No final da tarde de ontem, o mesmo vereador protocolou outra representação contra o mesmo edital, desta vez no Ministério Público Estadual (MP-SP). Também houve questionamento feito à Comissão de Licitação do Paço por parte da empresa Mercedes-Benz do Brasil.

Entre as irregularidades para as quais o TCE pede explicações está a ausência de projeto básico no caderno convocatório do edital. Afirma, no documento, que o artigo 7.º, da Lei 8.666/93, estabelece que as licitações para execução de obras e prestação de serviços "devem obedecer determinada sequência, dentre as quais exista projeto básico aprovado pela autoridade competente e disponível para exame dos interessados em participar do processo licitatório." Na representação, os advogados do vereador lembram que em casos semelhantes o TCE julgou pela irregularidade do edital.

Outro ponto em que o Tribunal de Contas quer explicações, com base na representação do parlamentar, é a suposta vedação constitucional do Estado quanto à subvenção de investimentos em obras. Segundo apontado por Marinho, o parágrafo único, do artigo 119 da Constituição do Estado de São Paulo, veda que serviços concedidos ou permitidos sejam subsidiados pelo Poder Público, em qualquer medida, quando prestados por particulares. Também questiona o que classifica como "exíguo tempo" oferecido aos proponentes para a realização de estudos que indiquem a viabilidade técnica e econômica da concessão, necessários para a composição e definição da tarifa de remuneração a ser ofertada.

Mercedes-Benz

E, por fim, questiona exigências contidas na licitação que a tornariam restritiva. Entre elas, o requisito mínimo de que o veículo seja equipado com sistema de freio dotado de controle contra tração de veículo. Segundo argumenta o autor da representação, o referido equipamento é tecnicamente desnecessário para a categoria "Padron" e "Padron Especial" e somente deve ser exigido para ônibus articulados que necessitam do denominado "controle contra tração e patinagem (ASR)."

"Tal exigência restringe aos licitantes a opção de aquisição de veículos de outros fabricantes, pois, sabe-se que tal equipamento, opcional cabe novamente frisar, somente está presente em veículos de categoria "Padron" e "Padron Especial" de um ou outro fabricante de chassi, de modo que não haverá como optar, por exemplo, veículos da marca Mercedes-Benz do Brasil", destaca Marinho Marte, no documento, completando que em cidades como o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, os BRTs são operados com veículos que não possuem referido sistema nas categorias "Padron". O mesmo questionamento, destinado porém à Comissão de Licitações da Prefeitura, foi feito justamente pela própria Mercedes-Benz.

TCE e o outro lado

Na decisão, o relator do caso no TCE, o conselheiro Dimas Eduardo Ramalho, estabeleceu prazo de 24 horas para a Prefeitura apresentar a defesa, sob risco de impugnação do processo de licitação. "Tendo em vista que a abertura do certame está marcada para ocorrer no dia 24 (terça-feira) próximo, é necessário que a municipalidade de Sorocaba traga aos autos justificativas acerca dos pontos alçados na representação. Notifico o prefeito Antonio Carlos Pannunzio para que no prazo de 24 horas, dê atendimento ao quanto solicitado. Alerto o responsável do município que o não atendimento da determinação poderá ensejar multa de 2 mil Ufesps", afirma o relator do TCE.

O chefe do Gabinete do Executivo, Rodrigo Antonio Maldonado Silveira, afirmou que técnicos das secretarias de Administração e também Negócios Jurídicos estão analisando os pontos questionados pelo TCE e pela empresa Mercedez-Benz e que as respostas serão apresentadas até hoje, dentro do prazo estabelecido. Maldonado não descarta que caso se constate algum eventual problema no edital, ele venha a ser suspenso temporariamente até os ajustes necessários. Porém, antecipa que há projeto básico. Em relação à subvenção de obras e à proibição, por lei estadual, o chefe do Gabinete do Executivo diz acreditar que esse impedimento não se aplica ao edital em questão.  

quinta-feira, 19 de março de 2015

Após 5 meses, Carlinhos anula a licitação do BRT de São José dos Campos

19/03/2015 - O Vale - S. J. dos Campos

Cinco meses após o lançamento da concorrência para a construção do BRT (Transporte Rápido por Ônibus), a Prefeitura de São José dos Campos anulou a licitação.

A promessa é que um novo edital será lançado até o início de abril, recomeçando do zero e mudando a modelagem da contratação, que deixará de ser por RDC (Regime Diferenciado de Contratação), que tem regras próprias e foi criado pelo governo federal para acelerar as obra da Copa do Mundo.

Segundo o prefeito Carlinhos Almeida (PT), a empresa será contratada pelas regras da Lei das Licitações, a 8.666/1993, que tem normas mais rígidas e, consequentemente, demoradas.

Com isso, os primeiros trechos do BRT, que terá 51,14 quilômetros de extensão na cidade, não devem estar prontos em 2016, como previa o governo.

"Perspectiva é lançar a obra até o começo de 2016. É uma obra de fôlego e causará uma grande mudança na cidade", afirmou o prefeito.

"Cria um sistema parecido com o de Curitiba, mas mais moderno, com corredores exclusivos para os ônibus, estações fechadas, sistema integrado com outros, controle inteligente e online do sistema, que tem que ser feito com muito critério".

Projeto. O BRT de São José é uma das obras do PAC Mobilidade de Médias Cidades, do governo federal, que liberou R$ 800 milhões para a implantação desse sistema de transporte. A contrapartida da prefeitura será de R$ 30 milhões.

Após a revogação da licitação publicada no último dia 14 de março, a nova licitação pode alterar o valor, segundo Carlinhos, mas para baixo.

"Pode ser que consigamos uma redução, pois a licitação será feita pelo menor valor, após a primeira fase, de pré-qualificação", afirmou.

Sistema. O BRT é um sistema em que ônibus trafegam em canaletas segregadas do sistema viário, com estações fechadas que permitem a cobrança antes do embarque, para ampliar a velocidade operacional.

"O BRT é um grande projeto. Se bem operado, será excelente para São José, mas vai depender da concepção, do desenho e da operação", disse o arquiteto e ex-prefeito de Curitiba Jaime Lerner, um dos idealizadores do sistema.

Segundo Carlinhos, a nova licitação não irá alterar o trajeto proposto para o BRT e nem os detalhes da malha viária pela qual ele vai operar. "Isso não mudar, mas sim a forma de contratação", afirmou.

A previsão de todo o projeto é de quatro anos de obras, com os primeiros trechos prontos em dois anos.

A oposição criticou o novo atraso na obra. "É uma característica da gestão da prefeitura", disse o vereador Juvenil Silvério (PSDB).

Saiba mais

BRT

É um sistema em que ônibus trafegam em canaletas segregadas do sistema viário, com estações fechadas que permitem a cobrança antes do embarque, para ampliar a velocidade operacional

Extensão

Em São José, sistema terá 51,14 quilômetros e ligará a região central com as regiões sul, leste, norte e sudeste

Custo

R$ 830 milhões

Prazo

Quatro anos de obras, com os primeiros trechos prontos em dois anos

Licitação

Lançada em outubro de 2014, foi suspensa em novembro e anulada no último dia 14 de março. Prefeitura promete retomar o certame até o começo de abril

Modelagem

Contratação da empresa para fazer o sistema seria feita por RDC (Regime Diferenciado de Contratação), mas mudou para a Lei das Licitações

Evento debate 'cidade do futuro'

São José dos Campos

"O carro é o cigarro do futuro", disse o arquiteto Jaime Lerner na terceira edição do projeto "São José 2030", realizada ontem no Teatro Colinas.

Mais de 300 pessoas foram ouvir um dos mais respeitados urbanistas do mundo, que colocou Curitiba no mapa das cidades sustentáveis do planeta.

Para Lerner, a mobilidade dependerá da visão de planejamento do poder público.

"As pessoas vão continuar a ter carro para o final de semana. Durante a semana, não será mais viável. O transporte público compensará."

Mas disse que, quando a cidade tem um sistema viário melhor, que agregue todos os modais, é boa para os carros.

"Quanto melhor o sistema de transporte público, mais espaço para os carros. Ele não tira, mas ganha espaço."

Palestras. Também se apresentaram o prefeito Carlinhos Almeida, o secretário de Transportes Luiz Marcelo Silva Santos, o engenheiro Ozires Silva e o Ipplan (Instituto de Pesquisa e Planejamento).

terça-feira, 10 de março de 2015

Após 12 anos, SP abandona maioria das obras do sistema de transporte, diz Folha de SP

10/03/2015 - Folha de SP

Levantamento feito pelo jornal Folha de SP mostra que após três mandatos a meta de corredores (300 Km) prometida só teve 28% de realização – 83 kms foram entregues até hoje. Outro indicador citado pelo jornal: metade de 30 terminais previstos não saiu do papel, e o projeto de construção de 350 estações de transferência nunca foi adiante, "já que apenas três deles foram construídos", diz a Folha.

O jornal cita ainda a próxima licitação prometida para julho que reorganizará o sistema que transporta 6 milhões de pessoas por dia "ao custo aproximado de R$ 6 bilhões anuais".

O jornal lembra que a ex-prefeita Marta Supliciy (2001-2004) idealizou o sistema de transportes integrados, que incluía obras, a implementação do Bilhete Único e o sistema eletrônico vigente. Mas, diz a Folha, Marta entregou somente 71 kms de corredores ante os 300 Kms prometidos. Daí por diante, entre 2005 e 2012, só outros 11,8 km de corredores e nove terminais foram concluídos.

A Folha informa, ainda, que "o projeto dos corredores foi minguado pela gestão Serra/Kassab", mas que Haddad também patina para dar sequência ao programa, já admitindo "deslizar" obras para depois do mandato.

Ouvido pelo jornal, o Secretário de Transportes na atual gestão (e também da administração Marta) Jilmar Tatto culpa os sucessores pela "descontinuidade" dos projetos.

"Teve um congelamento tanto do ponto de vista de novas estações, corredores e terminais como de tecnologia, que deveria ter sido atualizada. Os validadores [de Bilhete Único] também ficaram obsoletos. Foi tudo paralisado, colocando em risco o funcionamento da bilhetagem", disse o secretário. Segundo ele, a licitação, que deveria ter sido feita ainda na gestão Gilberto Kassab (PSD), se arrastou até agora por causa de questionamentos do TCM (Tribunal de Contas do Município). Tatto diz ainda que, ao retornar à secretaria, "não havia nem projetos de corredores".

Já José Serra (prefeito entre 2005 e 2006), através de sua assessoria de imprensa, informou em nota que sua gestão "teve como marca a implementação de um transporte público eficiente em contraposição ao sistema deficitário, irracional, caótico e anárquico deixado pela gestão anterior". Serra teria regularizado os contratos que foram licitados em 2003, "formalizou o Bilhete Único e o integrou ao Metrô e à CPTM".

Sucessor de Serra que deixou a prefeitura para ser governador, Gilberto Kassab (PSD) afirma que fez "amplos investimentos em estrutura para o transporte público, além de injetar R$ 1 bilhão com recursos municipais para a expansão da rede metrô".

Kassab, que assumiu após Serra, informou que "além de entregar 11,8 km de corredores e inaugurar terminais, implementou 100 km de faixas exclusivas de ônibus, renovou 89% da frota de ônibus e colocou em prática a integração do Bilhete Único com o Metrô e a CPTM".

Para ler a matéria na íntegra, visite o site da Folha de SP


domingo, 8 de março de 2015

Haddad desapropria mais 25 'Pacaembus' para garagens de ônibus

06/03/2015 - O Estado de SP

SÃO PAULO - Mais cinco decretos de utilidade pública de garagens de ônibus foram publicados nesta quarta-feira, 4, no Diário Oficial da Cidade. Eles se somam aos 12 decretos assinados no início de fevereiro pela gestão do prefeito Fernando Haddad (PT), que tem o objetivo de desapropriá-los para facilitar a concorrência de interessados na bilionária licitação dos transportes públicos sobre pneus da capital paulista, que deve ser publicada até o fim do semestre.

Esses espaços ficam nos distritos de Jaguaré e Jaguara, ambos na zona oeste, Vila Matilde, na zona leste, e Capela do Socorro, na zona sul, que tem dois terrenos desapropriados.

Juntos, os terrenos incluídos neste pacote contabilizam uma área total de 178,6 mil metros quadrados, um espaço equivalente ao de 25 campos de futebol como o que existe no Estádio do Pacaembu, na zona oeste.

Nas declarações de utilidade pública anteriores, a área atingia 433,2 mil metros quadrados, cerca de duas vezes e meia mais do que o atual volume. Segundo o prefeito disse ainda no início de fevereiro, com a medida, quer fomentar o capitalismo concorrencial, em vez do patrimonialista, que, de acordo com ele, vigora na atualidade.

A rede de empresas que detêm e operam a frota de mais de 8 mil ônibus da cidade de São Paulo (os demais 7 mil veículos são geridos por cooperativas) está nas mãos de poucas famílias, como Ruas, Belarmino e Saraiva. O Grupo Ruas, inclusive, controla a encarroçadora de ônibus Caio Induscar, uma das principais fornecedoras para a frota da capital paulista, que passa por renovação constante.

A intenção da Prefeitura é fazer com que a posse dos terrenos das garagens -- locais onde os ônibus são estacionados, reparados e abastecidos -- seja municipal, garantindo assim uma maior igualdade entre os concorrentes da nova licitação, que deverá estabelecer as diretrizes para o sistema de transportes para os próximos dez anos.

Como hoje as garagens já estão nas mãos de alguns empresários, grupos investidores de fora ficariam em desvantagem competitiva, já que obter grandes terrenos em todas as regiões de São Paulo para as garagens é um grande empecilho.

"Hoje em São Paulo eu diria a você que é impossível (conseguir um terreno para construir uma garagem). Não tem problema a garagem ser até concedida, mas ela não pode ficar ao bel prazer do empresário, que pode vender para um empreendimento imobiliário. Isso é que não dá mais para conviver, é muito risco para o sistema", disse o prefeito no começo do mês passado.

"Quem tem acesso a terra e ao Estado tem tudo, e não pode ser assim. Temos que mudar de paradigma, e entrar na era de um capitalismo concorrencial, em que o empresário faz jus a uma taxa de retorno, mas dentro das regras de mercado, e não com privilégios indevidos", afirmou o petista na mesma ocasião.

A Prefeitura informa que ainda não há uma estimativa de quanto deverá ser gasto com as desapropriações, que podem ocorrer em um prazo de até cinco anos após a declaração de utilidade pública dos terrenos.

quinta-feira, 5 de março de 2015

Bares projetam alta de até 15% com linhas noturnas de ônibus

05/03/2015 - DCI

São Paulo - As novas 151 linhas noturnas de ônibus da capital paulista devem aumentar o número de clientes em bares e restaurantes durante a madrugada. A previsão é que o incremento no faturamento seja de 15% ao mês, segundo a Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel).

Desde a última semana, começaram a funcionar linhas de ônibus da meia-noite até as 4 horas da manhã. Ao todo, 800 mil paulistanos devem se beneficiar com a medida e a nova opção de locomoção na madrugada deve impulsionar o movimento em estabelecimentos como os bares Siga La Vaca e Paróquia, além de redes como Big X Picanha e Boi na Brasa.

"A falta de transporte público gerava uma série de problemas para os estabelecimentos que funcionam depois da meia-noite. Primeiro com relação ao número de clientes, que diminui consideravelmente com a Lei Seca. Outro fator negativo é o preço dos táxis, que neste período operam com valores mais elevados", afirma o presidente de Abrasel, Percival Maricado.

"Atualmente, a queda no faturamento de estabelecimentos que funcionam na madrugada é de 20%", comentou Maricato. Em 2012, no período de implantação de adendos na Lei Seca, o setor registrou queda nas vendas de 40% nos estabelecimentos. No entanto, no decorrer do tempo o segmento se adaptou e equilibrou o faturamento, com campanhas do motorista da vez, entre outras ações.

A nova legislação impactou locais como o Siga La Vaca, um espaço procurado para happy hour e comemoração de aniversários, no centro da cidade. Para o diretor de marketing e eventos do espaço, Maruan Khalil, porém, a nova medida da implantação das linhas noturnas deverá provocar a mudança de comportamento dos clientes.

"Temos grande movimento depois da meia-noite e a medida pode gerar aumento importante no número de consumidores. Há clientes com o hábito de ir embora antes da meia-noite e outros chegam nesse horário para aproveitar a madrugada. Agora eles não serão mais prejudicados pela falta de opções e poderão chegar ou sair a qualquer hora", exemplifica.

Funcionários

Bares e restaurantes que operam em locais residenciais e fecham antes da uma hora da manhã, também deverão ser beneficiados com as novas linhas de transporte na capital. É o caso do bar Paróquia, localizado na Vila Marina, zona sul de São Paulo. O gerente de vendas, José Antônio Rodrigues, conta que a maior vantagem deve ser para os funcionários.

"O maior benefício será para os colaboradores, que terão melhores condições de retornar para casa depois do expediente de trabalho. Eles não precisarão esperar na rua pelo retorno do transporte público." Para ele, outro ponto positivo será na contratação de novos colaboradores. "Agora poderemos contratar pessoas de qualquer região da cidade. Antes já eliminávamos os currículos de candidatos que não moravam na zona sul", afirma Rodrigues.

Para ele - que já trabalhou no setor em Fortaleza (CE), onde há transporte público durante a madrugada -, a falta de ônibus de forma circular neste período é uma grande falha.

"Nunca entendi como uma cidade como São Paulo não oferecia ainda o serviço de transporte noturno."

Confiança

Sem dúvida de que o setor terá um crescimento significativo no faturamento na capital paulista, o diretor de expansão da rede Mr. Beer, Fernando Fernandes lembra que o tíquete médio individual nos bares e restaurantes é de R$ 70,00.

Entretanto, com a falta de transporte público a única opção era recorrer ao táxi e o gasto acabava se equiparando ao valor consumido durante um momento de lazer.

Segundo o executivo da marca que atua com cervejas especiais com lojas e bares, o total acabava sendo inviável para algumas pessoas e elas tendiam a diminuir a frequência em estabelecimentos durante à noite. "Com a opção de transporte mais barato, os consumidores poderão gastar mais", destaca.

Estratégia

A Prefeitura de São Paulo precisa investir em uma estratégia forte de comunicação para informar aos usuários a nova oferta de ônibus, afirma Fernandes. "Os consumidores que saem para restaurante e bares não estão habituados a utilizar o transporte público. Criar um mapa com os itinerários e horários disponíveis deve gerar confiança nos consumidores e pode ser uma boa saída para divulgar o novo serviço."

Ainda que a Prefeitura de São Paulo tenha as novas linhas operando com o apoio da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) e da Guarda Civil Metropolitana, a falta de segurança também é uma preocupação entre os empresários e um que fator pode contribuir para a queda no movimento de alguns locais, como aponta o gerente do restaurante Boi na Brasa, Armando Gonçalves.

"Não creio que só o aumento das linhas de ônibus fará crescer o faturamento no comércio. É preciso ver o problema da falta de segurança. Na Praça da República, por exemplo, ninguém tem coragem de dar uma volta depois de determinado horário. Com um policiamento mais efetivo poderíamos mudar a situação". Gonçalves também acredita que para os funcionários, a oferta de transporte será um enorme benefício, pois aumentará a qualidade de vida deles. "Quem trabalha de madrugada terá mais rapidez para chegar em casa", diz o gerente.

Com a perspectiva de crescer 25% este ano apoiada na implantação da nova rede de transporte, a rede Big X Picanha segue otimista. A empresa, que faturou cerca de R$ 49,4 milhões em 2014, conta que antes da extensão do horário de ônibus tinha de antecipar o fechamento para cumprir a carga horário dos funcionários, que era outra dificuldade para operar durante o período.

De acordo com o sócio proprietário e diretor de implantação e franquias da rede, Zupa Silva, agora isso deve mudar. "Tenho certeza de que vai acontecer um crescimento no faturamento por conta da nova medida. Em função da lei seca, muitas pessoas não saem de casa, mas com o funcionamento do transporte público durante toda a noite irá facilitar a locomoção pela cidade e teremos mais pessoas circulando durante a madrugada" comenta.

Silva explica que os restaurantes da rede e o Consulado da Bahia (restaurante também administrado por ele), foram projetados para atender até a uma hora da madrugada. Com a falta de opções de transporte à noite era necessário, porém, fechar antes disso - estratégia que poderá mudar em breve. "Para completar a carga horária de alguns funcionários, antes tínhamos de fazer eles entrarem à tarde, período de pouco movimento. Isso deve mudar."