sábado, 4 de junho de 2016

Monotrilho e quatro corredores do ABC atrasam e dificultam mobilidade

03/06/2016 - G1 SP

Moradores de corredores relatam problemas gerados obras prometidas.

Governo diz que crise financeira e abandono de empresas prejudicou trabalho.

Carolina Giancola, Alan Mendes e Philipe Guedes

Da TV Globo, em São Paulo

Quatro grandes corredores de ônibus prometidos em 2013 ainda não cumprem sua função. O projeto é de um consórcio formado pelas prefeituras do ABC iria facilitar muito o transporte de milhões de pessoas.

Uma das obras até começou no início de 2015, mas virou um pesadelo para quem mora na região. A veterinária Luciana Ogata tomou um susto ao sair do trabalho em uma sexta-feira e, ao retornar na segunda-feira, perceber que a rua em frente a sua clínica havia desaparecido para obras. "Quando eu olhei para este buraco e pensei que ninguém vai mais acessar a minha clínica, nem o próprio carro da empresa, a minha vontade foi de chorar, e chorei", disse. A empresa tinha 18 anos.

O SPTV faz esta semana uma série de reportagens sobre mobilidade urbana. É o Anda SP, que vau falar das obras do Metrô, corredores e terminais de ônibus que estão atrasadas, paradas ou suspensas na Grande São Paulo.

Perguntando a um operário, ela descobriu que a obra fazia parte do corredor de ônibus que vai do Parque Giovani Breda, em São Bernardo, até a Imigrantes. Duas obras em ruas próximas faliram durante a construção do corredor.

A obra é do Consórcio Grande ABC, começou em novembro de 2015 e falaram aos moradores e empresários da região que iria terminar em 3 meses - em fevereiro.

Os corredores de São Bernardo e de Mauá estavam previstos para 2014. O primeiro, não ficou pronto, e o segundo, nem começou a ser feito. A prefeitura fez a licitação para o corredor deste e mais três terminais de ônibus por R$ 33 milhões

Em Guarulhos, um corredor de ônibus serviria para ligar à capital. Mas dos 22 km do projeto, a EMTU entregou 16 km. Na Vila Augusta, em um lado da rua há um corredor com piso de concreto e do outro lado, não. A obra já gastou R$ 160 millhões teve dois trajetos separados prontos: do terminal Vila Galvão ao terminal Vila Endres e um trecho um pouco além do terminal Taboão ao Cecap. O projeto que vai ligar até a Linha Vermelha do Metrô ainda está em licitação.

Já o projeto de ligação de Guarulhos ao terminal de Metô Tucuruvi na capital terá que ser revisto.
O Consórcio Intermunicipal do Grande ABC dise que as obras dependiam de repasse de verba do governo federal , o que ainda não aconteceu.

No ABC, há ainda outra obra anunciada, licitada e com empresa contratada, mas que nunca saiu do papel. É o Monotrilho, que o governo do Estado pretende ligar São Bernardo à Vila Prudente, na Zona Sul da capital. Seria a Linha 18- Bronze. Só o projeto básico para decidir o trajeto custou R$ 14,6 milhões.

Comerciantes que ficam no trajeto disseram que várias medições foram feitas em 2014. Técnicos voltaram em 2015, depois do Carnaval. Mas obras não começaram.

A Linha Bronze teria 20 km de extensão e 18 estações. O término da fase 1 da obra estava previsto para 30/12/2016 só que ela nem começou a ser feita e já foi suspensa pelo governo do Estado.

O Secretário de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, disse que "há vários atores na democracia, como Ministério Público, despropriações" que impedem que obras andem mais rápido e que "temos hoje a maior crise econômica do país", que influenciou na arrecadação e também no repasse prometido do governo federal. Segundo ele, foram priorizadas obras já começadas.

Em relação às obras paralisadas, ele disse que "há grande expectativa para retomada das obras da linha 4 e 17" em 60 dias. No caso da Linha 4, em que há financiamento do Banco Internacional, o secretário diz que é necessário seguir as regras internacionais. No caso da Linha 4 e do Monotrilho, ele explica, as obras foram abandonadas pelas empresas. Na linha 15, há funcionários trabalhando para entregar em 2018.

A Linha 4 e 17 as obras estão realmente paralisadas, admitiu ele. Já as linhas 2 e 18, os financiamentos não vieram e foram suspensas. A Linha 5, iniciada, foi priorizada com 13 mil pessoas trabalhando no total das obras.