quinta-feira, 21 de maio de 2015

Em ritmo lento, túnel para ônibus vai atrasar

20/05/2015 - O Estado de SP

A construção do primeiro túnel exclusivo para ônibus em São Paulo, projetado para interligar a Radial Leste ao Terminal Parque Dom Pedro, está parada. Menos de seis meses após o início, não há operários trabalhando no canteiro de obras, e a Prefeitura já admite rever o prazo de conclusão, inicialmente estipulado para novembro de 2016.

Orçado em R$ 150 milhões, o túnel de cerca de 700 metros de extensão foi anunciado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em outubro do ano passado. A maior parte dos recursos para execução da obra deve vir do Programa de Aceleração do Crescimento para a área de mobilidade (PAC Mobilidade Urbana), do governo federal. A Prefeitura, no entanto, alega atrasos no repasse das verbas que serviriam para pagar às empresas contratadas.

O túnel integra o projeto chamado Corredor Radial Leste Trecho 1, que tem 12 quilômetros de via segregada para ônibus entre a Estação Vila Matilde, da Linha 3-Vermelha do Metrô, até a altura do Parque Dom Pedro, na região central.

O INVESTIMENTO total previsto é de R$ 455 milhões, dos quais R$ 15 milhões representam a contrapartida da Prefeitura. A via, que aproveitará parte de uma estrutura subterrânea inutilizada pela Companhia do Metropolitano, com extensão de 150 metros, vai levar os veículos que saem da Radial direto para o terminal.

A passagem subterrânea terá uma faixa em cada sentido, além de uma área central de segurança, caso algum ônibus apresente falhas. Em comparação com o acesso atual dos coletivos que saem ou chegam ao Parque Dom Pedro para a Radial, a Prefeitura estima que o túnel tornará o trajeto 20 minutos mais rápido.

Crise. A São Paulo Obras, empresa da Prefeitura responsável pelo gerenciamento do contrato, citou a crise econômica atual para justificar o ritmo das escavações. "Todas as obras com recursos do PAC estão em ritmo bem lento. O túnel tinha a previsão de término para o fim de 2016. No entanto, com a crise econômica que ocasionou a suspensão de recursos e a diminuição do ritmo das obras, esse prazo pode ser estendido", informou a empresa.

A reportagem do jornal O Estado de S. Paulo esteve no local na sexta-feira passada e constatou que o "ritmo lento" da construção admitido pela empresa significava, de fato, a paralisação completa das obras.

Providências. A SPObras confirmou a ausência de trabalhadores no canteiro, mas disse que o ritmo citado se refere à tomada de providências burocráticas, como licenças, e também ao manejo arbóreo. As medidas, de acordo com a empresa, continuam ocorrendo. O Ministério das Cidades informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que "quitou todos os empenhos de obras de mobilidade que estão sendo realizadas pela Prefeitura".

Passagem será paga na plataforma

O projeto do corredor e do túnel exclusivos para ônibus na zona leste e no centro prevê que a cobrança da passagem aos usuários será feita na plataforma de embarque e não no interior do veículo. A via terá piso rígido, faixa de ultrapassagem e deve ter 13 paradas ao longo de sua extensão, que terão ligação com o sistema ferroviário da cidade. A Prefeitura estima que a via deve ser usada por 220 mil pessoas diariamente. 

terça-feira, 19 de maio de 2015

Cinco fatos que indicam ligação entre o setor de transportes e o PCC

19/05/2015 - O Estado de SP

Leia: Perueiro foi morto após questionar novo contrato de transporte - O Estado de SP

Morte e agressão paralisam apuração sobre lotações; PCC estaria envolvido - O Estado de SP

Desde 2003, quando o sistema de transporte público de São Paulo foi reestruturado, os antigos perueiros se transformaram em membros de cooperativas de ônibus e, já no mesmo ano, surgiram os primeiros indícios de ligação entre as cooperativas e a organização Primeiro Comando da Capital (PCC). Naquele ano, um coordenador de cooperativa foi preso, depois de grampos telefônicos apontarem sua ligação com o tráfico de drogas. Mas a mistura entre crime organizado e transporte público estava longe do fim.

MORTE DE DONOS DE LINHAS

Três pessoas foram mortas em junho de 2005 durante o que foi, para a polícia, uma disputa pelo controle da linha Santo Amaro/Jardim Luso. As vítimas foram os coordenadores da linha, Roberto Carlos Santos Campos, de 38 anos, e André Jacinto dos Santos, de 26, além do perueiro Marcos Rodrigues de Oliveira, de 27. Foi um crime premeditado. Eles foram sequestrados em pontos diferentes da cidade e levados para uma casa na Favela Ingaí, região do Jardim Miriam, zona sul.

FRAUDE NO BILHETE ÚNICO

Uma ação do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) e da São Paulo Transporte (SPTrans) descobriu, em março de 2006, um golpe para fraudar o bilhete único, o chamado "golpe da coruja". Bilhetes únicos eram validados em ônibus parados, criando um faturamento indevido a veículos da extinta Cooperativa Aliança Paulista. O esquema servia para lavar dinheiro para a facção, segundo a polícia.

REUNIÃO COM POLÍTICO

Durante uma investigação da Polícia Civil, em março de 2014, grampos indicaram que integrantes do PCC se reuniriam com líderes perueiros. A investigação apurava ataques contra ônibus da cidade - as lotações eram sempre poupadas. Quarenta e duas pessoas foram averiguadas. Entre os flagrados no encontro, estava o então deputado estadual Luiz Moura, na época do PT. Da corrente PTLM (PT de Luta de Massas), a mesma do secretário de Transportes Jilmar Tatto, Moura terminou expulso do partido. Ele e seu irmão, o vereador Senival Moura, tinham nos perueiros sua principal base política.

LAVAGEM DE DINHEIRO

Em outubro de 2014, 11 anos depois do surgimento dos primeiros indícios de que o PCC usa as lotações para lavar dinheiro, as primeiras duas pessoas suspeitas de operar esse crime foram denunciadas pelo MP. Eram Geralda Jorge da Silva e Marcos Paulo Vidal de Castro. "Os valores originários do tráfico foram dissimulados por meio de INVESTIMENTOS feitos em vans, que circulavam em linhas da Coopertranse no transporte coletivo alternativo, especificamente na linha da Vila Ema (zona leste de São Paulo)", diz a denúncia. A Coopertranse não opera mais

CARTA DOS LÍDERES

No mesmo ano de 2014, foi divulgada uma carta entre dois dos líderes máximos da facção criminosa: Roberto Soriano, o Tiriça, e Daniel Vinicius Canônico, o Cego. Eles negociavam a transferência de uma lotação de um para o outro. A carta foi escrita por Tiriça. Ele dizia ser necessário "acelerar" pessoas na São Paulo Transporte (SPTrans) e nas cooperativas para facilitar a transação.

INVESTIGAÇÃO PARADA

Em maio de 2015, o assassinato de uma testemunha e o espancamento de outra paralisaram a investigação da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Público e Social da capital - braço do Ministério Público encarregado de investigações não criminais - sobre a transformação das cooperativas em empresas de ônibus, por meio de fraude. O objetivo da mudança seria permitir que elas participem da disputa por uma licitação planejada pelo prefeito Fernando Haddad (PT) para o transporte.

Perueiros de SP relatam ameaças de novas empresas de lotação

Crimes são investigados em sigilo pelo Ministério Público Estadual

Membros das antigas cooperativas de lotações de São Paulo relatam rotinas de extorsão e ameaças praticadas pelos diretores das novas empresas de transporte de São Paulo. Os casos vão desde falta de pagamento a pressões para que as lotações sejam vendidas para as empresas.

Os crimes são investigados em sigilo pelo Ministério Público Estadual (MPE). A instituição tem ainda um inquérito civil aberto para apurar improbidade de membros da Prefeitura no caso. Entretanto, conforme o Estado noticiou na semana passada, essa apuração foi paralisada depois da morte do perueiro Sergio da Conceição Nobre Oliveira, ocorrida em fevereiro, na zona leste, e do espancamento de outra testemunha, agora protegida.

As acusações ocorrem às vésperas de a Prefeitura lançar uma licitação estimada em R$ 120 bilhões, em 20 anos, para conceder o transporte público a novos empresários. O edital deve ser publicado ainda neste mês.

Segundo informações do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), uma testemunha protegida disse que a empresa Allianz, antiga Cooperativa Paulistana, a mesma onde trabalhava o perueiro Oliveira, foi formada para fazer um contrato emergencial com a Prefeitura e "obter atestado de capacidade técnica e participar da licitação a ser realizada futuramente pela municipalidade para contratar prestadores de serviço de transporte".

Perueiros das zonas sul, leste e oeste, que pediram para não serem identificados, contam que a mudança de natureza das associações - de cooperativa para empresa - foi tomada à revelia dos sócios. A situação não teria ocorrido apenas na Allianz.

Achaques."Todo mundo questionou essa mudança. Ninguém concordou. Sabe o que aconteceu? Eles (diretores) perguntaram se a gente queria discutir isso e ligaram para a cadeia, no viva voz", disse um perueiro ouvido pela reportagem. "Quem vai questionar esses caras?", afirmou, referindo-se supostamente à facção PCC.

Na prática, a mudança fez com que cooperados virassem empregados dos diretores, que os ameaçavam diante de contestações. "A SPTrans paga R$ 2,10 por passageiro transportado. O pagamento é feito para a cooperativa, que fica com uma parte, e repassa o resto. Mas, agora, estão ficando com quase tudo. Meu repasse foi para R$ 1,08. Mal dá para pagar o motorista e abastecer o carro", contou outro perueiro. Antes da mudança, o repasse ficava em cerca de R$ 1,70, diz ele.

Além de ficar com parte do dinheiro, os empresários teriam passado a pressionar perueiros a entregar seus veículos. "Pago uma prestação de R$ 3.600 do meu carro à cooperativa, que fez a compra. Eles começaram a cobrar R$ 4 mil, até mais. Eu disse que assim não dava. Então falaram que, se eu não estava aguentando, devia vender meu carro para eles", contou outro perueiro.

A investigação paralisada do MPE chegou a ouvir cinco depoimentos semelhantes antes de o medo afastar novas testemunhas. Elas contaram casos parecidos. A promotora pública Karyna Mori, que ouviu essas pessoas, acompanha agora a publicação do edital que vai escolher as novas empresas. A investigação criminal, do Gaeco, segue em sigilo.

Diretor de empresas nega problemas à polícia

A reportagem procurou o advogado Anderson Barbosa da Silva, de 44 anos, presidente da Allianz, para comentar as informações presentes no inquérito do Ministério Público Estadual (MPE), mas ele não retornou as ligações.

Silva dirige a empresa citada no depoimento feito ao Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) sobre o caso. É também a mesma empresa onde trabalhava o perueiro Sérgio da Conceição Nobre de Oliveira, morto em fevereiro supostamente por se queixar das mudanças no sistema de transporte.

À Polícia Civil, segundo depoimento a que o Estado teve acesso, ocorrido em 10 de abril, o advogado disse que a antiga cooperativa "estava revendo contratos das prestadoras de serviços e afins, visando regularizar todas as situações em desacordo com a São Paulo Transporte (SPTrans). Por causa disso, alguns contratos de parceria foram cancelados, outros alterados", disse. O advogado disse que conhecia a vítima só de vista, mas afirmou que ela era "polêmica".

Na quinta-feira, em entrevista ao Estado, o secretário municipal de Transportes, Jilmar Tatto, afirmou que a contratação da empresa no lugar das cooperativas que já operavam na cidade ocorreu a pedido das próprias empresas, que queriam se modernizar. A solicitação teria ido ao encontro de reivindicações que já haviam sido feitas pelo Ministério Público e de recomendação feita pela empresa de auditoria Ernst & Young, que analisou as contas do sistema de transporte.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Fase de implantação é principal empecilho para o BRT em Sorocaba, afirma presidente da Urbes

03/05/2015 - Diário de Sorocaba

A fase de implantação é o principal empecilho para que o sistema Bus Rapid Transit (BRT) – Ônibus Rápido - comece a funcionar em Sorocaba, justifica o presidente da Urbes-Trânsito e Transportes, Renato Gianolla. Ele adianta que, durante as obras, o trânsito ao longo dos corredores e regiões adjacentes sofrerá transtornos. Para a viabilização do projeto, o Município teve financiamento de aproximadamente R$ 133,9 milhões do governo federal, por meio do programa Pró-Transporte – Mobilidade Médias Cidades, do Ministério das Cidades, obtidos por seleção do Programa de Aceleração do Crescimento.

Para a implantação do BRT, estão previstas desapropriação de imóveis em uma quadra da Avenida São Paulo, onde há um estrangulamento da via, e de três áreas específicas para a implantação dos terminais periféricos nas pontas dos corredores exclusivos norte, nas avenidas Itavuvu e Ipanema, e oeste, na Dr. Armando Pannunzio. De acordo com Gianolla, essas áreas já estão com decretos de desapropriação publicados e serão pagos pela empresa concessionária que vier a vencer a licitação para implantar e operar os corredores do BRT.

A implantação do BRT é um dos pontos do Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade da cidade, que tem como prioridade o transporte não motorizado e coletivo. "Com relação ao transporte coletivo, a principal medida é a implantação do BRT nos corredores norte/sul e leste/oeste no município, que visa dotar a cidade com mais eficiência e modernidade", frisa Gianolla. Ele adianta que outro objetivo é a minimização do tempo de deslocamento para todos dos usuários, com sistema eficiente. Assim, diante do grande afluxo de veículos em Sorocaba, para que a meta possa ser alcançada, será preciso a proibição de estacionamento nos corredores onde serão implantados o sistema, com faixas preferenciais.

O presidente da empresa pública explica que o plano ainda precisa ser aprovado pela Câmara de Sorocaba para que as questões financeiras e mudanças de comportamento da população, relacionadas ao projeto, sejam debatidas. Ele frisa, ainda, que o documento já foi revisado e aprovado e o financiamento do governo federal, aprovado. O documento é uma das obrigações para que municípios, com mais de 20 mil habitantes, não sejam impedidos de receber verbas federais destinadas à mobilidade urbana. O plano prevê medidas e obras a curto, médio e longo prazos, ou seja, quatro, oito e 15 anos, respectivamente, que, segundo Gianolla, usará de financiamentos federais e internacionais e de recursos estadual e municipal.

CALÇADAS – Conforme as prioridades elencadas no Plano Diretor de Transporte Urbano e Mobilidade, a requalificação e alargamento das calçadas devem ocorrer em fases de acordo com os trechos de maiores afluxos de pedestres. O documento deixa claro que a maioria das calçadas na cidade precisa ser requalificada, e a manutenção vai priorizar a região central e, no futuro, trechos críticos dos corredores de BRT, centros de bairros, áreas escolares e postos de saúde. Os pontos com altas taxas de acidentes envolvendo pedestres também está na lista. Para isso, estacionamentos nas vias onde há necessidade de alargamentos serão retirados.

ESTACIONAMENTOS – Gianolla enfatiza que outra medida é o gerenciamento do estacionamento de veículos particulares, principalmente no Centro e nos corredores do BRT. Ele afirma que a ideia também implanta o "Park and Ride", que oferece bolsões junto aos terminais e estações de transferências.

NOVA RODOVIÁRIA – Há planos para a construção de um novo terminal rodoviário em 2020 e, de acordo com estudos, a unidade ficaria na região do bairro Brigadeiro Tobias. O presidente da Urbes explica que o processo conta somente com diretrizes e uma pesquisa funcional até o momento, definindo uma área junto à Rodovia Celso Charuri, a estrada Paulo Varchavtchik e a ferrovia para a implantação de um novo terminal intermodal, ou seja, uma rodoferroviária, que deverá ocorrer com os estudos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) para a implantação do trem regional entre São Paulo e Sorocaba. "O local é ideal, pois está junto à ferrovia e às principais rodovias que cortam o município que, neste caso, são as Senador José Ermírio de Moraes (que dá acesso à Castelo Branco) e Raposo Tavares."

TARIFAS – O presidente da Urbes esclarece que a tarifa paga pelo usuário do transporte coletivo é independente da tarifa de remuneração paga aos concessionários do serviço do transporte coletivo. "Claro que todos esses investimentos no serviço do transporte coletivo aumentarão os recursos financeiros de subsídios dados ao transporte coletivo", ressalta.