terça-feira, 10 de agosto de 2010

Novo corredor atrai velhos problemas



Webtranspo confere trajeto Diadema-Brooklin
Projeto agilizou viagem, mas piorou trânsito
O mais novo corredor exclusivo de ônibus de São Paulo está em pleno funcionamento há dez dias. Repórteres do Portal Webtranspo percorreram os 24 quilômetros de via que ligam o terminal metropolitano de Diadema ao bairro do Brooklin, para fazer a “leitura” do impacto causado na rotina dos ônibus, carros, motos e, claro, usuários.
Pela análise realizada, pode-se atestar que a obra, que durou 21 anos para ser concluída e recebeu R$ 24 milhões, foi recebida de maneiras díspares por condutores e passageiros.
Se por um lado, o corredor exclusivo foi um salto positivo para os usuários de ônibus (pesquisa da EMTU - Empresa Metropolitana de Transportes Urbanos aponta aprovação de 80% dos usuários), a redução de uma faixa de rolamento e o consequente aumento do trânsito na via e no seu entorno são os principais pontos negativos verificados neste início de operação.
De carro, em parte do percurso – altura do número 945 da avenida Vereador João de Luca até o cruzamento com a avenida Santo Amaro, trajeto de 3,7 quilômetros que era vencido em oito minutos -, o tempo de viagem mais que dobrou. O motorista não consegue realizar em menos de 25 minutos, isso às 8 horas, de qualquer dia da semana. À tarde, no sentido inverso, a lentidão aumenta e o trajeto não é feito em menos de 30 minutos.
Diferente do que acontece com outros importantes corredores da cidade, a EMTU manteve os pontos de ônibus paralelos, os quais ainda servem de paradas para algumas vans e ônibus fretados. Tal fator alimenta o aumento do índice de congestionamento no local.
Efeito funil
Se para os veículos o novo corredor gerou transtornos relacionados ao tráfego, para as motos o problema foi alçado para a questão segurança. Isso porque as faixas ficaram menores, causando o afunilamento para os motociclistas.
“A criação no corredor prejudicou pois causou um efeito funil. As filas de carros ficaram mais apertadas, dificultando a circulação de motociclistas e até mesmo dos outros veículos. Além disso, como os ônibus não estão centralizados em uma única faixa (vans e alguns ônibus não utilizam a faixa especial) está bastante complicado para trafegar”, relata Cléo Moura.
Desorganização
Para os passageiros de ônibus, constatamos no Terminal de Diadema transtornos com relação à falta de informação, desorganização e poucos ônibus para atender as pessoas.
Segundo a auxiliar de limpeza Marta Gonçalves, desde que o corredor entrou em vigor o embarque tem sido muito complicado. “Está uma bagunça, ninguém se entende. Há muitos passageiros que não usavam a linha (pois não havia integração gratuita com o corredor Jabaquara - São Mateus) e agora aproveitam o benefício. Mas não tem ônibus para atender a todos”, constata.
A vendedora Luciana Garcia, concorda. “É muita gente para pouco ônibus. Antes os veículos não saiam de Diadema com passageiros em pé. Hoje, é algo muito comum”, garante.
Na pele
A repórter Elizabete Vasconcelos realizou de ônibus, na última sexta-feira, 6, o trajeto nos dois sentidos. A seguir, segue relato da jornalista:
Chegar mais rápido ao seu destino é uma vantagem. Não há dúvidas. Mas além da agilidade para transitar de Diadema ao Morumbi, o corredor também gerou muita confusão, ônibus lotados e trânsito para motoristas e motociclistas.
Na sexta-feira, 6, ao chegar ao Terminal Metropolitano de Diadema, às 7h10 - de onde saem os ônibus com destino ao Morumbi e ao Brooklin -, tomei um susto quando vi o tamanho da fila, era enorme.
Em outras situações, quando o corredor ainda era um projeto, as filas eram mais organizadas e não havia tantos passageiros. Poucos minutos após minha chegada, foi iniciada uma movimentação estranha. Muitas pessoas começavam a sair da fila, fiscais da Metra – empresa que opera os ônibus - anunciavam um “ônibus expresso”.
Se você, caro leitor, assim como eu está se perguntando o que seria isso, esclareço. Nada mais é que um ônibus que dispõe de portas apenas de um lado – impossibilitando que usuários embarquem ou desembarquem nas paradas ao longo do trajeto. Portanto, neste veículo apenas poderiam embarcar passageiros que pretendessem desembarcar após o término do corredor – saindo do Shopping Morumbi com sentido ao Brooklin.
Acompanhei outros usuários que saiam da fila – orientados pelo fiscal – para embarcar neste veículo. Então, ao parar no local definido se iniciou uma confusão. Os passageiros que estavam na fila entravam no ônibus enquanto os usuários que haviam saído dela questionavam o fiscal da empresa sobre a orientação dada por ele.
Após algum sacrifício consegui entrar no ônibus, que estava lotado. Eram 7h17. Em apenas sete minutos presenciei a desorganização no embarque dos passageiros. De dentro do ônibus pude ver que, mesmo com aquele veículo saindo com muitos passageiros, outros muitos ficavam na plataforma de embarque aguardando o próximo ônibus.
Realizei todo o trajeto em pé, assim como diversos passageiros. Entretanto, é inegável a agilidade proporcionada pelo corredor. Enquanto nas outras faixas motoristas e motociclistas se espremiam para trafegar em um trânsito carregado, os ônibus fluíam bem. Para se ter uma ideia, em apenas 35 minutos - às 7h52 - estava no meu destino final: o término do corredor.
Na volta, fiquei apenas três minutos esperando o ônibus. Às 17h55, embarcava em frente ao Shopping Morumbi. Mesmo em um horário considerado de pico – com a demanda de muitos passageiros e o tráfego carregado - levei pouco mais de 40 minutos para chegar em Diadema. Às 18h38, desembarcava no terminal.

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